Hoje, 15 de dezembro, completam-se 7 anos do dia mais feliz da minha vida. Claro, Santos 3 x 2 Corinthians, final do Brasileiro de 2002. Quando tudo começou a fazer sentido, o futebol ganhou graça definitivamente.Mas a história não é essa. É sobre algo que ocorreu naquele dia. E que, pra mim, é o momento mais "bonito" - na falta de palavra melhor - que já passei.
Quando Robinho pegou a bola, pedalou 8 vezes e foi derrubado, me escondi atrás da porta da sacada do quarto. Pensei freneticamente se via ou não via o lance. Olhei para as janelas vizinhas, todo mundo nervoso. Resolvi ver. Ufa.
Tudo bem, 1 a 0, até a hora que houve o empate. Nessa hora, eu tinha certeza que, com 12 anos, teria um ataque do coração. E simplesmente parei de ver o jogo.
Sim, eu, fanático, doente, parei de ver a final do campeonato mais importante que vi meu time jogar até então. Nem parece eu, né?
Enfim, fui para o pc, que ficava no quarto "de empregada". Fiquei desesperado, quietinho, jogando MINIGOLF. "Jogando", afinal, não conseguia me concentrar. Mas aí que a história de fato começa.
Do nada, gritos. Claro que era gol. Corri para a sala.
"Acabou filho, deram um jeito de dar o título pra eles. Acabou, logo sai o terceiro e a gente perde".
Meu pai, triste como nunca havia visto, dava a notícia. É, quase enfartei de novo.
Voltei para o quartinho, triste demais. Mas com esperança.
Dois minutos depois, toca o interfone de casa, que fica na cozinha. Fui atender, eram minha mãe e irmão. Eu gritava "ALÔ? ALÔ?", mas ninguém respondia.
Resolvi esperar, e rezar.
Sim, eu abaixei no cantinho da cozinha e comecei a orar.
"Por favor, Deus, eu nunca vi meu time ser campeão, e a gente merece muito dessa vez, por favor, quero só ver meu time ganhar hoje, uma vez só, por favor".
Algo do gênero, não lembro exatamente, claro. Mas foi meu maior - e talvez único - momento de fé na vida.
Resolvi descer para abrir o portão, já que ninguém atendia.
Saí correndo escada abaixo.
O mundo explodiu.
Um barulho ensurdecedor, a sensação de que uma bomba havia explodido e acabado com a cidade de Santos inteira.
Corri de volta que nem louco.
Meu pai estava em pé no meio da sala.
Olhou, sorrindo, pra mim, e disse:
"É campeão, filho, é campeão!".
Pulei nele, demos um abraço que nunca, nem antes, nem depois, foi repetido, tamanha a emoção.
A sensação de que tudo daria certo, pela primeira vez na vida.
Éramos campeões. Corri para o quarto, Robinho fez a finta de corpo, Léo pegou a bola, só falei: "Por favor, Léo, pra acabar com gol, pra acabar com gol..." GOL!
O resto, é história.
Sete anos, e ainda choro toda vez que lembro desse dia. Toda vez que lembro desse abraço.
Amo o Santos. Amo meu pai.
E, pela primeira vez, juntos, éramos campeões. Os três.

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